
Relatório da Nuvei destaca avanços em Inteligência Artificial, pagamentos em tempo real e open banking
O setor de pagamentos tem se consolidado como um dos principais motores estratégicos do comércio global, impulsionado por um ritmo acelerado de inovação e pela criação de ferramentas que tornam a experiência – tanto do lojista, quanto do consumidor – mais prática. Exemplos disso são o Pix, no Brasil, e os diversos formatos de pagamento adotados ao redor do mundo, como biometria facial, NFC, entre outros.
De olho nesse avanço, a Nuvei elaborou o relatório “15 tendências de pagamento que vão redefinir como o comércio funciona em 2026”, a partir da visão de líderes globais da companhia.
Os executivos destacam que 2026 marca um ponto de inflexão para o setor. Os avanços em Inteligência Artificial, a consolidação dos pagamentos em tempo real, a evolução regulatória e mudanças profundas no comportamento do consumidor estão levando as empresas a repensar o papel dos pagamentos em suas estratégias tecnológicas, financeiras e de crescimento.
“O debate deixou de ser sobre um meio de pagamento específico e passou a ser sobre como desenhar ambientes flexíveis, resilientes, inteligentes e com alto nível de controle financeiro”, avaliam.
1. Comércio mediado por agentes se torna realidade
Em 2026, o chamado agentic commerce deixa de ser apenas conceitual e passa a operar em ambientes reais. Agentes digitais começam a influenciar a descoberta de produtos, a comparação de ofertas e o início das transações, exigindo que as empresas repensem a estrutura de produtos, a transparência de preços e as jornadas de checkout para atender não apenas consumidores, mas também agentes que atuam em seu nome.
“É o ano em que o comércio mediado por agentes se torna real. Os agentes do consumidor vão avançar mais rápido do que o restante do ecossistema, e quem se adaptar cedo terá uma vantagem clara”, afirma Hilla Peled, SVP de IA e Ciência de Dados.
2. O checkout se torna um sistema de receita
Cada decisão no checkout, seja relacionada a etapas, autenticações ou opções de pagamento, tem impacto direto na conversão e no valor do cliente ao longo do tempo. Em 2026, o checkout deixa de ser uma página estática e passa a operar como um sistema dinâmico, que se adapta em tempo real ao comportamento do cliente, ao contexto do dispositivo, aos sinais de risco e ao desempenho dos meios de pagamento.
“A performance do checkout se acumula rapidamente. Quem o trata como sistema, e não como tela, sai na frente”, diz Damien Cramer, SVP e head global de Travel.
3. Checkout liderado por redes passa de experimento a expectativa
Experiências como Paze e Konek evoluem gradualmente do status de novidade para o de padrão esperado. A familiaridade do consumidor com identidade digital, tokenização e autenticação habilitadas pelas redes cria um novo nível de confiança no momento do pagamento.
“Pagamentos sem atrito continuam liderando a experiência do consumidor e impulsionando escala para os comerciantes”, afirma Steve Vincent, SVP e head Comercial da Nuvei na América do Norte.
4. Orquestração se torna exigência liderada pelos comerciantes
Para grandes varejistas, a orquestração de pagamentos deixa de ser um diferencial competitivo e passa a ser um requisito mínimo. Roteamento multiadquirente, smart retries e otimização de aprovações tornam-se expectativas básicas.
“Os comerciantes esperam que seus parceiros de pagamento melhorem ativamente os resultados. Apenas processar transações já não é suficiente”, destaca Raphael Tetro, SVP de Contas Estratégicas.
5. Resiliência e visibilidade financeira ganham prioridade
No setor de viagens, as estratégias de pagamento evoluem para garantir maior resiliência operacional e controle financeiro. Ambientes distribuídos ampliam a flexibilidade, mas tornam reconciliação, transparência e visibilidade requisitos estratégicos.
“Em escala, a performance do pagamento importa, mas visibilidade financeira e confiança importam tanto quanto”, afirma Jacqueline Ulrich, SVP e head de Travel Payments na Europa.
6. Pagamentos B2B entram em uma era de controle de custos
À medida que os pagamentos B2B avançam em digitalização, o custo assume papel central. Cartões oferecem velocidade e automação, mas também custos mais elevados. Em 2026, as empresas passam a combinar estrategicamente cartões e transferências bancárias integradas, como ACH e SEPA, em busca de eficiência econômica e operacional.
“Nos pagamentos B2B, 2026 é sobre ter as ferramentas certas para maximizar tanto os benefícios econômicos quanto operacionais dos pagamentos digitais. Dados mais ricos, cobranças em conformidade e transferências bancárias integradas oferecem às empresas alavancas reais para gerenciar custos sem sacrificar eficiência”, afirma Murray Sharp, SVP Pagamentos B2B.
7. Economia dos cartões devolve poder aos comerciantes
A expectativa de acordos regulatórios envolvendo Visa e Mastercard nos Estados Unidos, previstos para o fim de 2026, tende a ampliar a flexibilidade dos comerciantes na gestão dos custos de aceitação, permitindo decisões em tempo real sobre aceitar, direcionar ou sobretaxar transações.
“Isso é aceitação seletiva de cartões em escala. Os adquirentes que se prepararem cedo liderarão”, avalia Christine Scappa, general manager da Nuvei na América do Norte.
8. Open Banking e pagamentos em tempo real se tornam operacionais
Setores que demandam velocidade e irrevogabilidade, como o de games, passam a adotar de forma mais ampla transferências bancárias e Request to Pay, reduzindo custos, fraudes e melhorando o fluxo de caixa.
“Os pagamentos devem desaparecer no fundo da experiência de compra. Velocidade e certeza tornam isso possível”, afirma Warren Tristram, SVP, head de iGaming.
9. Neobancos expõem limitações do modelo tradicional de cartões
Os neobancos aproveitam infraestruturas de pagamentos em tempo real e métodos alternativos para desafiar a economia tradicional dos cartões. Construídos sobre bases tecnológicas modernas e livres de sistemas legados, conseguem experimentar de forma mais agressiva como o dinheiro circula e como o valor é entregue aos consumidores.
“Os neobancos estão provando que infraestruturas mais baratas, combinadas a marcas fortes, podem mudar o comportamento de pagamento”, afirma Guillaume Conteville, CMO.
10. Stablecoins redefinem a estratégia de capital e o balanço patrimonial
As stablecoins deixam de ser apenas infraestrutura de pagamento e passam a integrar a estratégia de capital das empresas, permitindo gestão dinâmica de liquidez, liquidação mais rápida e maior previsibilidade financeira.
“Stablecoins estão mudando como as empresas pensam sobre liquidez. Não são apenas uma forma mais rápida de movimentar dinheiro. São uma forma mais inteligente”, diz Bryce Jurss, VP, Ativos Digitais.
11. Métodos de pagamento locais seguem decisivos para o crescimento global
Apesar da escala das plataformas globais, os pagamentos continuam profundamente locais. Consumidores mantêm a confiança em métodos familiares, como transferências bancárias, carteiras digitais e esquemas regionais, o que impacta diretamente a conversão e a credibilidade das marcas. Em 2026, o desafio deixa de ser apenas oferecer métodos locais e passa a ser escolher os mais relevantes para cada mercado e jornada. Poucas opções limitam o alcance, enquanto opções demais geram fadiga, frustração e abandono no checkout.
“Marcas globais vencem quando conseguem parecer locais no momento do pagamento”, destaca Adina Pop, SVP, Métodos de Pagamento Globais.
12. Dados de pagamento evoluem para inteligência de negócios
Os dados de pagamento deixam de ser apenas registros históricos e passam a se consolidar como uma das fontes mais precisas de inteligência de negócios. Em 2026, informações transacionais em tempo quase real orientam decisões estratégicas relacionadas a precificação, personalização, desempenho de autorizações, prevenção a fraudes e expansão geográfica. Empresas mais maduras avançam de análises retrospectivas para insights preditivos, usando dados de pagamento para identificar atritos, perda de margem e oportunidades de crescimento.
“Os dados de pagamento mostram como o comércio realmente funciona, não como imaginamos que funcione”, afirma Advait Sinha, SVP, Gestão de Produtos.
13. Novos métodos europeus enfrentam o teste da adoção real
Soluções como Wero e Revolut Pay ganham visibilidade, mas ainda precisam comprovar impacto concreto em conversão, custos e experiência no checkout para escalar de forma sustentável.
“O cemitério dos pagamentos está cheio de grandes nomes. A adoção sempre é o verdadeiro teste”, analisa Steffan Jones, SVP, Experiência do Cliente.
14. Stablecoins se consolidam como camada operacional da tesouraria
Empresas globais passam a utilizar stablecoins para centralizar liquidez, movimentar recursos entre países e explorar novas formas de eficiência financeira, reduzindo a dependência de estruturas bancárias tradicionais.
“Stablecoins estão evoluindo para uma camada operacional do tesouro. Elas permitem que empresas globais centralizem a liquidez, movimentem fundos mais rapidamente através das fronteiras e desbloqueiam eficiência sem renunciar ao controle”, destaca Damon Burk, diretor sênior, Ativos Digitais.
15. Compliance se transforma em vantagem competitiva
Mais do que um freio ao crescimento, o compliance passa a ser visto como um diferencial operacional, viabilizando expansão mais rápida, processos de onboarding mais ágeis e maior confiança regulatória.
“Compliance funciona melhor quando está integrado à operação, e não como uma barreira no final do processo. Em 2026, essa integração se torna uma verdadeira vantagem competitiva”, afirma Noam Grinberg, diretor de Riscos.
FONTE: 26/01/2026 – MERCADO & CONSUMO
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