
Foram dias intensos e relacionamentos importantes. Os 2.600 brasileiros presentes em Nova York, junto com perto de outros 38 mil participantes da NRF 2026, viveram mais uma vez o privilégio de tocar, viver e discutir o presente e o futuro dos setores de varejo, consumo e, cada vez mais, serviços.
Muita informação, excitação e discussão, com trocas de percepções e visões distantes do dia a dia dos negócios. O que torna a experiência especial e marcante. Sem dúvida é ambicioso buscar o possível extrato da síntese que permita e contribua para converter tudo isso em energia vital para rever o fundamental.
Considere uma proposta que pode ser um ponto de partida. E chegada. Eis 16 pontos do que de mais relevante no plano estratégico foi provocado e sua necessária aterrisagem na realidade do Brasil do momento.
1. O varejo deixa de ser canal e passa a ser plataforma de soluções
O centro da estratégia migra de produto para solução de necessidades, recorrência e ecossistemas de serviços.
2. Crescimento com rentabilidade volta a ser inegociável
A era do “crescer primeiro, ajustar depois” acabou, especialmente em ambientes de juros reais tão altos como no Brasil atual.
3. Serviços financeiros tornam-se núcleo e ao mesmo tempo risco estrutural
Embedded finance, crédito e meios de pagamento são motores de crescimento, mas também fontes relevantes de risco sistêmico.
4. Dados deixam de ser suporte e viram ativo econômico
First-party data e retail media ganham peso, mas exigem governança, integração e monetização real.
5. O consumidor é mais racional, infiel e cada vez mais orientado a valor
Menos lealdade, mais comparação, menos tolerância a propostas indefinidas.
6. Endividamento estrutural das famílias limita o consumo
No Brasil, parte relevante do consumo é sustentada por crédito caro e frágil.
7. A batalha principal é pela atenção, não apenas pelo share
O varejo compete com bets, redes sociais, streaming e creators pelo tempo e foco do consumidor.
8. A loja física se reinventa como mídia, serviço e relacionamento
Ela deixa de ser só ponto de venda para se tornar ativo de dados, fulfillment, branding e monetização.
9. IA sai do discurso e entra no P&L
O foco passa a ser eficiência, produtividade, margem e customização e não apenas experimentos.
10. Cadeias de suprimento mais do que resilientes para além de apenas eficientes
Agilidade e flexibilidade tornam-se mais valiosas que otimização extrema.
11. Sustentabilidade entra como eficiência operacional
Menos ESG como marketing, mais ESG como redução de risco, custo e desperdício.
12. Gente torna-se foco mais crítico em todo o processo atual
Para além da interação com as emergentes tecnologias, a integração e retenção de gente competindo com setores com maior apelo profissional.
13. Talento e liderança viram o maior gargalo da transformação
Falta de líderes preparados e equipes motivadas, integradas e preparadas travam execução mais do que tecnologia.
14. Polarização política e social no Brasil atual impacta negócios, marcas e gestão estratégica e operacional
O ambiente externo invade as empresas, afetando cultura, comunicação, opções e decisões.
15. Incerteza fiscal e institucional se transforma em variável estratégica permanente
No Brasil, onde até o passado é incerto, como já foi proposto, instabilidade é parte do modelo e não exceção. E pode ser tornar um diferencial competitivo em âmbito global.
16. O Brasil exige inovação e tradução estratégica e não cópia de tendências
Tudo que gravita em torno da NRF aponta direções, porém aplicar sem adaptação pode destruir valor.
Extrato da síntese condensado
O futuro do varejo será cada vez mais transversal em canais e mercados, ousado em integralidade, desmaterializado e potencializado pela Inteligência Artificial em racionalização, simplificação, experiências e customização.
Os 16 pontos mostram que o desafio não é saber o que está mudando. É decidir no que apostar e quando recuar, além de ter a ousadia de saltar à frente.
Para fechar e concluir
Para o dirigente de negócios no setor de varejo, consumo e serviços atuando no Brasil, exige-se, muito mais do que em qualquer outro momento:
Mais disciplina, visão e definição estratégica;
Mais foco em caixa, margem e execução;
Menos hype e mais decisões difíceis e imediatas.
Vale refletir. E agir!
Notas: Nesta terça-feira, 27 de janeiro, realizaremos o Retail Trends – Pós-NRF 2026 no Teatro Claro, em São Paulo. O evento vai reunir o que de melhor se viu e discutiu em Nova York na NRF 2026 com a delegação do ecossistema Gouvêa, que reuniu líderes dos setores de varejo, consumo e serviços do Brasil. Inscrições para acompanhamento presencial ou virtual podem ser feitas pelo neste link. No dia a dia, a cobertura exclusiva da plataforma Mercado&Consumo trouxe o que de mais importante aconteceu e foi discutido.
Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e publisher da plataforma Mercado&Consumo.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
FONTE: 26/01/2026 – MERCADO & CONSUMO
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