Marinho disse que os números de fevereiro são resultantes da política de investimentos e reindustrialização do país
O Brasil criou 431.995 empregos com carteira assinada em fevereiro, revela o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Esse é o maior saldo mensal registrado na nova série histórica do Caged, que começou em 2020. Sete em cada 10 empregos criados (72%) estavam na faixa até 1,5 salário mínimo (312.790 postos).
O resultado de fevereiro decorreu de 2.579.192 admissões e de 2.147.197 desligamentos. No acumulado em janeiro e fevereiro de 2025, o saldo é de 576.081 empregos. Já nos últimos 12 meses, foi registrada a criação de 1.782.761 postos de trabalho formais. A quantidade total de vínculos pela CLT ativos alcançou 47.780.769, alta de 0,91% em relação a janeiro.
O ministro Luiz Marinho disse que os números de fevereiro são resultantes da política de investimentos e reindustrialização do país adotada pelo Governo Federal. “Nós estimulamos um monte de investimento e esse é o resultado”, disse Marinho durante coletiva para apresentar os números na sede do Ministério, em Brasília.
O salário médio de admissão foi de R$ 2.205,25. Comparado ao mês anterior, houve uma redução real de R$ 79,41 no salário médio de admissão, queda de 3,48%.
Também nesta sexta-feira, o IBGE divulgou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) com a taxa de desocupação no trimestre encerrado em fevereiro de 2025. Apesar de o desemprego ter aumentado em relação ao trimestre anterior, a taxa repetiu seu valor mais baixo entre os trimestres encerrados em fevereiro (6,8%), que havia ocorrido em 2014.
O rendimento médio do trabalhador brasileiro chegou a R$ 3.378, o valor mais alto já registrado desde 2012, quando começou a série histórica da Pnad Contínua.
Marinho volta a criticar alta dos juros
O ministro do Trabalho e Emprego foi questionado sobre os números positivos do Caged e que demonstram uma economia aquecida, indo na contramão da política de contração da atividade econômica defendida pelo Banco Central. Marinho observou que para março é esperada uma queda no número de empregos gerados, mas disse esperar a manutenção da política de geração de empregos.
O ministro voltou a criticar a alta na taxa de juros da economia, a Selic, elevada a 14,25% pelo Comitê de Política Monetária (Copom) no início do mês. “O que me parece que está acontecendo é que a transição do Banco Central tinha contratos realizados e eles estão sendo cumpridos. Não se recomenda cavalo de pau na economia e, portanto, os processos estão sendo respeitados”, afirmou.
“Acho que o que se necessita no Brasil é um grande pacto de mais produção para conter a inflação e não o contrário. Me parece também que, com o aumento de juros, as pessoas não vão deixar de comer carne, ovo, arroz e feijão. O debate é outro, precisamos produzir mais”, disse Marinho.
Crédito caro afetará emprego
Volnei Eyng, CEO da gestora Multiplike, analisa que a principal explicação para a alta do desemprego no trimestre encerrado em julho, segundo os dados do IBGE, está relacionada ao aumento da taxa de juros para 14,25%, que tem impactado diretamente o crescimento das empresas e, consequentemente, o número de demissões.
Diante do cenário de encarecimento do crédito, o crescimento das empresas tende a diminuir cada vez mais, afetando a capacidade de manutenção de seus quadros de funcionários. Eyng destaca que “esse aumento das demissões tem afetado principalmente setores mais sensíveis às flutuações econômicas, como o comércio e serviços. Embora a economia ainda demonstre sinais de resistência, o mercado de trabalho está mais sensível à inflação e às políticas monetárias, o que reflete uma situação de maior insegurança para os trabalhadores”.
Para Eyng, a relação entre desemprego, crescimento econômico e inflação é um delicado jogo de equilíbrio.
Serviços lidera crescimento de emprego com carteira em fevereiro de 2025
O maior crescimento do emprego formal no mês passado ocorreu no setor de serviços, com a criação de 254.812. Na Indústria, foram 69.884; no comércio, 46.587; na construção, foram 40.871; e na Agropecuária, 19.842 postos.
A maioria das vagas criadas no mês de fevereiro foi preenchida por mulheres, que ficaram com 229.163, enquanto os homens ocuparam 202.832 postos. A faixa etária com maior saldo foi de 18 a 24 anos, com 170.593 postos de trabalho. O ensino médio completo apresentou saldo de 277.786 empregos.
Com exceção de Alagoas, todos os estados tiveram resultado positivo na geração de emprego no mês passado. Em termos absolutos, São Paulo gerou o maior número de postos de trabalho, fechando fevereiro com 137.581 postos; seguido de Minas Gerais, com 52.603 postos, e Paraná, com 39.176 postos.
Os estados da Federação com menor saldo foram: Alagoas, que perdeu 5.471 postos; Acre, que criou 429 postos e a Paraíba, com 525 novos postos.
Desempenho do emprego com carteira vem em momento de tensão
Para Felipe Vasconcellos, sócio da Equus Capital, “o desempenho positivo [do Caged] vem em um momento de tensão para a economia brasileira. A Taxa Selic foi elevada para 14,25% ao ano, num esforço do Banco Central para conter a inflação acumulada de 5,06% em 12 meses. A alta dos juros, no entanto, tem impacto direto sobre o crédito e o consumo, o que levou a uma revisão para baixo na projeção de crescimento do PIB em 2025: de 2,1% para 1,9%. Entre os setores, o agronegócio segue mostrando resiliência.”
“A força do agro, mesmo diante das adversidades macroeconômicas, tem sido um dos pilares de sustentação do mercado de trabalho formal no país e deve apresentar crescimento no ano, após registrar perdas em 2024. Ainda que os dados de fevereiro sejam animadores, a combinação de juros altos, inflação persistente e desaceleração do crescimento impõe um cenário de cautela. O desafio do governo será manter o ritmo de geração de empregos sem comprometer a estabilidade econômica no médio prazo.”
Para Volnei Eyng, “o dado do Caged veio forte, maior número de geração de empregos desde 2020, muito positivo e mostra que o mercado formal está aquecido.”
“No entanto, quando olhamos outros indicadores, como o aumento da taxa de desemprego e a queda na população ocupada na Pnad Contínua divulgada pela manhã, percebemos sinais de enfraquecimento em outras partes da economia, especialmente no setor informal. Isso não significa que a economia está entrando em colapso, mas sim que há uma desaceleração em andamento, o que já era esperado devido à política de juros altos. O setor formal pode estar segurando essa desaceleração por enquanto, mas a questão chave é se esse ritmo de geração de empregos será sustentável nos próximos meses, considerando a redução do crescimento econômico e o crédito mais caro”, avalia.
FONTE: 28/03/2025 – MONITORMERCANTIL
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